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Cultura e Entretenimento, Todos

Série: Sherlock

Sherlock” é uma mini-série da BBC One, criada por Steven Moffat e Mark Gatiss (ambos de Doctor Who) com a intenção de atualizar o icônico detetive britânico. Se Conan Doyle concebeu o personagem como um homem moderno na sua época, por que não mostrá-lo como um homem moderno do século XXI? Pode parecer estranho o conceito: Sherlock Holmes é jovem e teve sua lupa substituída por uma lâmina de aumento, seu deerstalker por um cachecol, seu cachimbo por adesivos de nicotina. Também não possui um imenso arquivo, mas um notebook e, inclusive, tem um site chamado “A Ciência da Dedução”. As cartas e mensageiros dão lugar a mensagens de texto, que flutuam na tela. O Dr. John Watson, por sua vez, é um homem simples, solitário e não mantém um diário, mas um blog.

Porém, o que poderia ser um fracasso nas mãos de alguém que estivesse preocupado em abusar da atualidade para chamar a atenção das novas gerações, se tornou uma ideia brilhantemente elaborada por roteiristas que se mantiveram fieis ao cânone e uma produção preocupada  em manter ares antiquados ao ambiente, como se observa no flat que a dupla divide no 221b Baker Street e em algumas nas locações onde se passam as ações. Agradou tanto as novas audiências quanto os mais puristas, e o resultado foi a impressionante marca de quase dez milhões de espectadores para cada episódio no Reino Unido.

Com uma montagem ágil e optando pela comédia dramática, a série gira em torno do incrível poder de dedução do sociopata que se tornou o único detetive consultor do mundo e que, se na era vitoriana impressionava por ser o único capaz de aplicar práticas forenses, hoje se mantém necessário por ser o homem mais inteligente do ambiente, capaz de enxergar e entender o que os outros não conseguem (há inclusive uma piada sobre CSI Baker Street). O arco narrativo parece se concentrar no relacionamento entre Sherlock –  personificado por um inspirado e talentoso e atrente Benedict Cumberbatch (O espião que sabia demaisCavalo de Guerra) – e  o adorável dr. Watson – agora apenas John – vivido pelo excelente Martin Freeman (The OfficeThe Hobbit), contemplado com um BAFTA no ano passado pela sua performance. Ambos solitários, os dois se encontram no momento certo da vida de ambos e enquanto Watson vê em Sherlock um amigo que lhe traz de volta à vida, Watson se torna a “audiência” que Sherlock nunca teve e que ao longo dos episódios, consegue humanizar aos poucos o personagem. É também extremamente divertida a maneira como os roteiristas criam situações dentro deste relacionamento para brincar com os rumores sobre a suposta homossexualidade entre Holmes e Watson. Em entrevistas todos os envolvidos negam que haja interesse sexual entre os personagens ou que eles se vejam como um casal homossexual, mas deixam bem claro: se alguém quiser interpretar desta maneira, tudo bem.

A mini-série conta com duas temporadas (e uma terceira já garantida) de três episódios/files de 90 minutos de duração e  histórias inspiradas em diversos contos como “Um estudo em vermelho”, “O problema final”, “Um escândalo na Boêmia”, “O intérprete Grego”, “O Cão dos Baskervilles”, “O Cliente Ilustre”, referências ao “Vale do Medo” (possivelmente uma das histórias a ser devidamente adaptada na próxima temporada) e, segundo Gatiss “38 histórias só no segundo episódio [da primeira temporada, “O banqueiro cego”]”.

Embora a série não seja transmitida em nenhum canal brasileiro (mas esteja amplamente disseminada na internet), a primeira temporada pode ser encontrada no Brasil em DVD e Blu-Ray, este último por um preço mais em conta que o Box de DVDs e trazendo ainda com extras exclusivos como episódios comentados e o episódio-piloto de 60 minutos, que nunca foi ao ar. A segunda será lançada pela Log On no dia 16 de maio, mesmo mês em que estreia nos Estados Unidos, onde atores e produtores declaram esperar que se consolide o sucesso. Porém, a indústria americana é esperta e já prepara uma versão americana da série chamada “elemeNtarY“, onde Holmes é um consultor aposentado da Scotland Yard e ex-viciado em drogas que se muda para Nova York (Sherlock Holmes é viciado em cocaína nos livros, mas a produção britânica optou por suavizar o tema, apenas insinuando que Holmes teria usado drogas na juventude) e Watson será vivido por ninguém menos que…Lucy Liu (As Panteras)!!! Não nada menos que bizarro este atentado.

Para os fãs que lêem em inglês, vale a pena dar uma olhada no site Sherlockology. Mantém informações das mais diversas, links, downloads e vasto material sobre a série, inclusive os sites dos personagens:

The Science of Deduction

THE SCIENCE OF DEDUCTION

John Watson Blog

JOHN WATSON BLOG

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About Renata Arruda

Redatora e tradutora.

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