//
you're reading...
Música, Resenhas, Todos

Para Rock in Press: Trupe Chá de Boldo

“O que toca a banda? Toca rumba ou toca samba? Toca cúmbia ou guarânia? Pop, punk ou polka? Indie rock, Amy, MPB?”, dizem versos de “Splix”, décima faixa de Nave Manha, novo álbum da Trupe Chá de Boldo– coletivo paulista formado por treze integrantes, que conseguiram transformar com sucesso tantas ideias e influências diferentes, entregando um álbum coeso e interessante que ao flertar com tantos ritmos, deixa a brincadeira da letra fazer todo o sentido.

As primeiras impressões sugerem uma mistura de Orquestra Imperial com baixo Augusta, mas em pouco tempo logo percebemos estar ouvindo algo especialmente original e chegamos a “Box 11″, que abre a segunda metade do álbum, já estamos completamente fisgados pela poesia e pelos bons arranjos assinados pela Trupe e pelo produtor do álbum, Gustavo Ruiz, irmão de Tulipa (cuja música “Da Menina” aparece sutilmente citada no roteiro de “Se eu for parar”, terceira canção do disco).

E ainda vão além. No encarte, cada letra ganha um roteiro e juntas transformam-se em um interessante filme sobre a cidade grande e seus personagens anônimos: o homem solitário, o músico indie, o rapaz apaixonado, a morena com um homem num quarto de hotel barato, o bordel, a jovem atriz, o rapaz de óculos escuros e, cruzando todos esses caminhos, a banda, que começa saindo da escuridão de São Paulo até chegar numa praia ensolarada. A ideia bestante simples do roteiro, sacia a vontade daqueles que ainda gostam da experiência de acompanhar o encarte de um disco; um prazer que os downloads muitas vezes nos tiram. O grande barato é que as letras tomam um outro sentido dentro dessas pequenas histórias.

À maneira da Orquestra e sua “Ereção”, a Trupe Chá de Boldo também traz o sexo à baila, com a provocativa “Na Garrafa”, onde Júlia, no papel da Morena, canta: “Não quero gota, quero você gostoso todo na garrafa(…)Eu quero o gosto de te tomar inteiro pra ver se chapa”. Comentando a faixa em seu blog, a jornalista Lorena Calabria, chamou atenção para o contraste que a letra faz com a da maioria dos seus colegas na MPB: “O que aconteceu com a nova MPB? Ninguém transa, só lê Machado de Assis?”. Pois enquanto uma parte dos novos compositores filosofa sobre a existência, canta o amor e “lê Machado de Assis“, a Trupe busca a leveza: “Melhor na chuva que som chave (…) Melhor a vida do que o divã”, cantamGalo e Márcia, oferecendo pra gente um dos grandes discos de 2012,  que pode ser baixado gratuitamente aqui.

Site | Facebook | Twitter

Clique para ver no site

Anúncios

About Renata Arruda

Redatora e tradutora.

Discussão

Ainda sem comentários.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: