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Cultura e Entretenimento, Resenhas, Todos

Millenium: Os homens que não amavam as mulheres

A americana Rooney Mara

Baseado no primeiro volume da obra inacabada e best-seller de Stieg Larsson, o filme de David Fincher se mostra eficiente como cinema, mas fraco como adaptação. Explico: Já na abertura, fica clara a intenção comercial da obra, ao vender o filme como uma história moderna e caótica, capaz de seduzir os sedentos por ação e violência – e aqui, chega a impressionar como a violência gráfica da abertura combinada à trilha parece feita não para chocar, mas para transmitir a excitação própria de vídeo-games. Mas a promessa não se cumpre, e ao tentar costurar toda a trama do livro em um roteiro para durar 158 minutos na tela, o longa perde o ritmo e comete o mesmo pecado da versão do sueco Niels Arden Oplev: os acontecimentos se resolvem rápido demais e não emocionam o espectador. Nem mesmo o bom trabalho de montagem são capazes de fazer com que o espectador não se sinta entediado pela história em alguns momentos.

Acredito que a história já seja conhecida por todos: o jornalista Mikael Blomkvist, dono da revista Millenium, é condenado por difamação enquanto a hacker Lisbeth Salander é paga para investigar sua vida para um cliente que procura há 40 anos respostas sobre a sua sobrinha desaparecida. Logo, a vida de Lisbeth e Mikael se cruza, enquanto tentam buscar a solução do mistério.A sueca Noomi RapaceA versão sueca ainda traz duas vantagens sobre à americana: o roteiro procura não encontrar soluções “fáceis” para os problemas, mantendo um clima sempre sombrio e entregando um suspense tenso; e Noomi Rapace (foto ao lado) compõe uma Lisbeth Salander superior à de Rooney Mara, com seu olhar firme e sua postura sempre decidida e intimidadora. Não que a atuação de Rooney Mara seja inferior: ela aparece grandiosa no papel e mereceu a indicação ao Oscar deste ano, mas sua Lisbeth Salander tira a força original da personagem, ao mostrá-la sempre com um olhar assustado, cabeça baixa e ombros caídos. Por conta disso, chega a ser inverossímel uma determinada cena no elevador. E, parte do problema, deve-se à direção de Fincher, que parece querer demonstrar que Lisbeth precisa ser salva e faz de Mikael um homem mais forte, que a acolhe.
Porém é a experiência cinematográfica de Fincher e principalmente sua habilidade em filmar cenas violentas que tornam este Os Homens… uma obra esteticamente superior à anterior – feita originalmente para a TV. Vale a experiência de acompanhar a primeira grande anti-heroína do século XXI carregando nas costas o peso dos dramas e abusos que milhares de mulheres sofrem todos os dias e sua luta para sobreviver à eles e combatê-los. Mas se quiser uma boa história com uma personagem feminina forte de verdade, prefira a Lisbeth original.
Lisbeth à frente, em 2009 e à sombra, em 2011.
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About Renata Arruda

Redatora e tradutora.

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