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Música, Resenhas, Todos

Resenha: Bela noite com Cícero e Marcelo Camelo no Circo Voador (Scriptus Est)

Foto: Ramon Moreira

Noite quente de verão no Rio de Janeiro. A Lapa lotada, se preparava para dois grandes shows na noite: Roberta Sá, na Fundição Progresso e Marcelo Camelo, no Circo Voador, onde capturaria imagens para o DVD da turnê do seu último disco, Toque Dela.  Mas aquela noite de dez de março era especial para uma pessoa em particular: Cícero Lins, cantor iniciante que há menos de um ano lançou seu primeiro CD, Canções de Apartamento, gravado de maneira independente e divulgado através das redes sociais e sites independentes de música. Cícero teria o privilégio de fazer a abertura do show de Camelo, ex-integrante de uma das bandas brasileiras mais importantes da geração contemporânea a Cícero – e sua mais óbvia influência.Um divertido encontro entre criador e criatura estava prestes a acontecer.

Quem chegou cedo ao Circo, pôde receber bottons e panfletos convidando todos a participarem da gravação do segundo clipe de Cícero, a ser realizado no Largo da Carioca, no dia vinte e três de março – sexta-feira. Para entreter as pessoas nos intervalos de espera dos shows, DJs da festa Roqueadores Rock Party tentavam animar o público, que não dava muita bola: a maioria estava dispersa nos arredores do Circo, enquanto uma pequena aglomeração esperava pacientemente pelo show de Cícero, que começou por volta da meia-noite.

Sem ser anunciado e com a música da festa tocando, Cícero e sua banda subiram ao palco e abriram o show com uma das faixas mais fortes do disco, Açúcar ou Adoçante?; e se havia alguma dúvida quanto a aceitação de uma plateia que supostamente estava ali apenas para ver Marcelo Camelo, o coro de vozes acompanhando toda a letra da música demonstrou que ali também havia público para Cícero. E o coro e animação da plateia se manteve durante toda a apresentação, esfriando apenas em João e o Pé de Feijão – talvez por soar deslocada para o clima de indie-rock cada vez mais encorpado aos arranjos que as músicas ganham ao vivo. E aqui vale mencionar que boa parte deste clima deve-se à intervenção do guitarrista Ricardo Gameiro, bem aplaudido durante seus solos.

Visivelmente nervoso, Cícero se constrangia ao conversar com a plateia – “estou falando demais” – e chegou a esquecer o setlist, que consultou com as mãos trêmulas. O músico não deixou de demonstrar enorme gratidão pela oportunidade de realizar o “show mais importante de sua carreira” e fez questão de declarar sua admiração por Marcelo Camelo e seu Los Hermanos, lembrando de um show vda banda visto em 2002, na cidade de Paracambi. Encerrando sua apresentação com Ponto Cego e seu viciante verso “é sexta-feira, amor!”, Cícero correspondeu todas as expectativas do público que o recebeu de braços e corações abertos, deixando o terreno pronto para o animado show que Camelo faria na sequência.

Foto: Ramon Moreira

Não demorou muito para que Marcelo Camelo pisasse no palco de um Circo Voador já completamente lotado, em companhia do Hurtmold (foto abaixo) e algumas samambaias, para o seu segundo show no Rio com a turnê Toque Dela. Há quase um ano sem tocar na cidade, Camelo estava visivelmente feliz e logo após a primeira canção saudou o público com exclamações de “minha cidade!” e “é muito bom tocar em casa!”.

Mais animado que de costume, Camelo já tinha o público ganho na primeira música e demonstrou se divertir durante toda a apresentação, fosse ao dançar com sua guitarra (o que rendeu comparações com seu companheiro de Los Hermanos, Rodrigo Amarante), ou ao sorrir e não se furtar de conversar espontaneamente com a plateia. Não fazendo em nada jus à fama de “hippie”, “cult”, “lento” ou qualquer outro eufemismo para chato, Camelo entregou um show todo baseado no acessível Toque Dela, trazendo arranjos de ritmos dançantes variados e dando peso a maioria das músicas, inteligentemente intercalando com momentos de voz e violão, o que permitiu que o show não esfriasse. O único momento em que o público parou foi quando Camelo generosamente deixou o palco para uma curta apresentação solo do Hurtmold, para voltar com mini-set acústico de composições como Santa Chuva e Cara Valente, que dedicou à amiga Maria Rita e Casa Pré-Fabricada, dedicada à Roberta Sá.

Chegando ao final da apresentação, Camelo distribuiu suas samambaias para o público – “não dá para levá-las” – que dançou com elas no “baile de carnaval” promovido pela marchinha Copacabana e permaneceu no clima de celebração durante o final “em grande estilo” com Além do Que Se Vê, onde um Camelo empolgado jogava cerveja no público e nos músico.

De volta para um bis com músicas dos Hermanos que soaram como um bônus, Camelo encerrou seu show provando a força da sua carreira solo, que não precisa apelar para o sucesso do passado para sustentar um show. O público que estava no Circo não me deixa mentir.

Foto: Letícia Aido

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About Renata Arruda

Redatora e tradutora.

Discussão

One thought on “Resenha: Bela noite com Cícero e Marcelo Camelo no Circo Voador (Scriptus Est)

  1. E eu queria ta ali, depois disso fiquei com mais vontade ainda ir a um show de Cícero… Do Marcelo, espero ele vir a Fortaleza ou com Los Hermano que logo baixam em Fortaleza ou solo.

    Posted by @Francisquices (@Francisquices) | Março 19, 2012, 5:32 am

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