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Música, Resenhas, Todos

Resenha: Summer Soul Festival 2012 (Para Scream & Yell)

Rio de Janeiro – 25/01
por Renata Arruda
fotos Stephan Solon

A quarta-feira estava particularmente quente no Rio de Janeiro para receber a segunda edição do Summer Soul Festival – primeira em solo carioca –, uma minimaratona de shows no HSBC Arena, na Barra da Tijuca.

Assim como em São Paulo, Dionne Bromfield abriu a noite. Animada, a jovem cantora fez uma apresentação divertida, colocando a plateia pra dançar com as músicas do seu recente “Good For The Soul” e foi efusivamente aplaudida quando declarou que faria uma homenagem à sua madrinha Amy Winehouse, emendando um cover de “Ain’t no Mountain High Enough”, gravado por ela em seu primeiro CD, com “Tears Dry on Their Own” (trocando o “fuck” da letra original por um bem comportado “mess”).

No intervalo, hora de passear pelo ambiente que pouco tinha a oferecer: nada de cabine de fotos, conforme prometido, uma barraquinha de camisetas e CDs e alguns quiosques de comida – R$ 14,00 por um cheeseburger do Bob’s, daqueles congelados que vendem nas lojinhas dos postos de gasolina, mais uma porção de batatas que, na verdade, era um saquinho de Ruffles. Na volta para a pista, uma enorme harpa colocada no palco – e o aumento considerável de público – “anunciava” a próxima atração: Florence + The Machine.

No palco, uma figura pálida, de cabelo quase laranja, vestida em uma túnica azul de mangas longas esvoaçantes e soltando uma afinadíssima voz etérea, causava a impressão de estar se presenciando algum ritual pagão. Florence abria os braços e parecia flutuar enquanto andava pra lá e pra cá. Mesmo que, teoricamente, Florence + The Machine quebrassem o clima do festival com suas músicas a la Enya pop, uma boa parte do público transformou o ambiente em um exclusivo show da banda, cantando todas as músicas, pulando em refrãos improváveis e soltando balões coloridos durante a execução frenética de “You’ve Got The Love”. Empolgada, Florence soltou um espontâneo “we love you”, agradeceu em português e se despediu fazendo o símbolo do coração com as mãos, deixando na cara de alguns presentes um sorriso irônico.

Alguns minutos depois, com um pouco de atraso, subia ao palco a banda de Seu Jorge, ainda sem o cantor, para esquentar o público que já lotava a arena. Assim que pisou no palco, Seu Jorge foi ovacionado, numa recepção muito mais calorosa que a exibida em São Paulo. Se na capital paulista o público indiferente aproveitou para colocar a conversa em dia e fazer uma pausa pra banheiro, bebida e cigarro, no Rio, no bom sentido, a arena de luxo se converteu em uma noite na suburbana Via Show durante a passagem de Seu Jorge, com a plateia dançando animadamente e esfriando somente nos momentos das baladas. Com direito a declamação de uma letra dos Racionais MC’s, Seu Jorge se mostrou contido e entregou uma apresentação correta, de pouca interação com o público ou grandes momentos. O motivo pareceu claro quando o cantor informou os presentes sobre o trágico desabamento dos prédios no centro da cidade, e parou a música para pedir um minuto de silêncio pelas vítimas.

Fechando a noite, Bruno Mars mostrou que era realmente a grande estrela do dia. Recebido aos gritos por dezenas de adolescentes com faixas na cabeça (e crianças além de meninas na faixa dos 10 anos cantando todas as músicas e outras menores acompanhadas pelos pais), foi impossível ouvir a voz – não muito potente – de Mars durante a primeira música, mesmo que o som estivesse mais alto no show do cantor do que nas demais apresentações.

Demonstrando talento como entertainer, Bruno apareceu vestindo uma camisa 10 verde-e-amarela e colocou a plateia no bolso durante toda a sua apresentação (que curiosamente foi a única a ser exibida no telão principal do palco). Sem deixar de sorrir um único minuto, o cantor se dividiu entre solos de guitarra, brincadeiras com a banda e passos sensuais, em uma sucessão de hits que foram capazes de contagiar tamanha a empolgação com que eram tocados e recebidos pelo público. Público capaz de vir abaixo com um simples “eu amo vocês” e acompanhar em coro a versão em inglês do hit “Ai, Se eu Te Pego”, que Bruno Mars puxou na guitarra, no meio de “Lazy Song”, após ter sido alvo de uma brincadeira de fãs em São Paulo.

Único a fazer bis, Bruno Mars fechou seu set cantando sentando em um banquinho a balada “Talking to the Moon”, quando uma parte do público já começava a ir embora. Declarou ter ficado chateado ao saber da tragédia no Rio, mas disse que estava muito feliz de estar ali e se despediu agitando uma pequena bandeira do Brasil levada por uma fã encerrando um evento cujo ponto positivo foi mostrar que ainda existe público capaz de não ficar blasé em um festival de atrações tão distintas. Ainda bem.

– Renata Arruda (@renata_arruda) é jornalista e colabora na empresa Teia Livre e na Revista Cultural Novitas

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About Renata Arruda

Redatora e tradutora.

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