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Entrevistas, Todos

Revista Cultural Novitas Nº 13: Entrevista – Thalita Rebouças

Thalita Rebouças se descreve como “a escritora mais animada do Brasil”. E é verdade. Quando do lançamento do seu primeiro livro “Traição entre Amigas”, em 2001, Thalita recorreu a uma tática nada convencional para chamar a atenção do público da Bienal do Livro, quando percebeu que ninguém parava na sua mesa: colocou uma peruca rosa, subiu na mesa, gritou, bateu palmas e até e fez polichinelo. Funcionou. O livro vendeu e a autora foi convidada para voltar.

Desde então, a carreira de Thalita deslanchou: assinou com a editora Rocco, onde lançou mais de dez livros; tem seis títulos publicados em Portugal e bateu a impressionante marca de mais de um milhão de livros vendidos. Ainda: “Uma Fada Veio Me Visitar” ganhará adaptação cinematográfica pela Globo Filmes e outros dois títulos já estão em negociação.

O segredo do sucesso? Thalita percebeu que escrever pequenas crônicas sobre o cotidiano funcionavam para um público que estava carente de boas estórias com as quais pudesse se identificar. Mas não é tudo: também precisou batalhar para que seus livros fossem lidos. A história de como se tornou best-seller Thalita conta em suas palestras motivacionais, sempre lotadas. E lotados também estão os eventos onde Thalita Rebouças participa: a escritora foi a sensação da última Bienal do Rio, causando alvoroço de uma multidão por onde passava. Tanto carinho foi registrado em um vídeo divertido que Thalita divulgou em seu blog, e que nos dá uma ideia da dimensão do sucesso editorial de uma escritora sincera, que é capaz de se emocionar ao ver levantados pela plateia cartazes com os dizeres de Jean Cocteau: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”.

Nesta entrevista, Thalita fala um pouco sobre sua carreira, seu bem sucedido projeto “Ler é Bacana” e seu último livro “Fala sério, Filha! – A vingança dos pais”, escrito a pedido dos pais que buscavam uma espécie de “direito de resposta” sobre a famosa série de livros “Fala sério!”protagonizado pela personagem Malu, “Desta vez ela vai ter que ouvir muuuito”, brinca a escritora em seu site. A tiragem inicial é de 40 mil exemplares e a capa é a primeira a apresentar o novo conceito gráfico para a série, assinado por Izabel Barreto, que será reeditada com novas capas e uma crônica inédita em cada um dos cinco títulos. Boa leitura!

A escritora em uma de suas palestras

A escritora em uma de suas palestras

Transparece muita verdade em você e nos seus livros quando lida com esse universo adolescente. Quando você percebeu que escrever para eles era o que você queria fazer?

Ser escritora sempre foi o meu sonho mas escrever para o público infantojuvenil só se tornou um objetivo quando meu primeiro livro, “Traição entre Amigas”, começou a fazer sucesso entre os adolescentes. Mirei neles porque eles miraram em mim primeiro! (risos)

Existe preconceito no meio literário com autores que escrevem para o público infanto-juvenil?

Se existe, eu nunca senti. Sempre fui muito bem acolhida.

E qual a melhor parte da carreira pra você?

Gosto de passar horas autografando e conversando com os leitores, é uma das partes da carreira que mais gosto! É melhor do que a melhor festa! Acho que por isso eu faço tantas tardes de autógrafos pelo Brasil todo!

Você criou o projeto “Ler é Bacana”, em 2004, dizendo que ouvia muito de adolescentes que “ler é chato”. Qual o resultado?

O resultado é muito positivo! Fico muito feliz quando vejo os adolescentes usando os broches da campanha nas mochilas, nos estojos, nas camisetas, incentivando os amigos a ler mais, lendo cada vez mais. O meu maior prêmio é ouvir de uma mãe que a filha se apaixonou pela literatura com os meus livros e agora lê de tudo.

Hoje em dia existe uma espécie de boom da literatura juvenil, principalmente com livros de fantasia mas também em crônicas do cotidiano, como a própria série “Fala Sério”. É o adolescente que não gosta de ler ou faltava quem conseguisse dialogar com esse público?

Logo depois do meu primeiro lançamento, os jovens leitores me mostraram que estavam carentes de se reconhecer nos livros que liam. Procuro contar histórias que façam parte do mundo deles, com humor e muito cuidado para não dar lições de moral explícitas. Quero que eles reflitam e tirem suas próprias conclusões. Eles me dizem que gostam dos meus livros porque parece que eu estou conversando com eles! Acho sensacional este mercado estar crescendo e as editoras estarem investindo em selos juvenis.

Da mesma forma que se vive um bom momento, também deve haver muitas publicações oportunistas. Você acha que existe uma maneira do adolescente, ou dos pais, filtrarem o que vale a pena? E existe algo que você mesma tenha engavetado na sua obra?

Filtrar um livro é difícil. Ainda mais que para escolher um título o leitor tem só a quarta capa, a orelha e o prefácio (quando tem prefácio). A melhor maneira é ler algumas páginas e sentir se foi fisgado pela leitura. O importante é ler muito, sempre. De tudo. Não importa se é gibi, livros sobre vampiros, biografias, manuais de máquinas fotográficas… (risos). Já engavetei um livro, sim. Deu branco e a história não voltou mais pra minha cabeça. Até voltou, mas nada do que eu escrevia ficava bom. Quem sabe volto pra ela um dia?

Por outro lado, parece que muitas pessoas te procuram atrás de conselhos, como se você fosse a melhor amiga mesmo. Acha que é um sintoma da falta de diálogo dos adolescentes com seus pais que faz eles procurarem a você e outros meios fora da família? O que você pensa sobre os pais que não dialogam?

Eles me pedem conselhos porque me veem como uma amiga mais velha que entende o universo deles, não tem a ver com o fato de não conversarem com os pais, é só uma questão de ter mais uma opinião. Acho triste quando vejo famílias que não dialogam, mas fico imensamente feliz quando vejo que meus livros estimulam a conversa dentro de casa.

Seu último livro fala sobre a primeira vez de seis meninas, que é um tema pertinente para todo adolescente e imagino que muitas meninas tenham se identificado e procurado no livro pistas sobre assuntos que elas provavelmente não comentam com os pais. Como surgiu a ideia e como tem sido a repercussão?

A repercussão tem sido ótima. O bacana é ver as mães me agradecendo, dizendo que agora conseguem conversar sobre esse assunto com mais naturalidade com as filhas. A primeira vez muitas vezes é um ato impensado, tomado por impulso. O meu livro faz pensar, repensar… E ainda faz rir. Eu adorei imaginar os conflitos e as dúvidas das seis personagens. É bom mostrar para as leitoras que elas não estão sós! É um livro que fala sobre sexo sem falar sobre sexo. É um livro sobre o antes, o depois e as emoções.

Alguns artistas que atingem o público adolescente são cobrados quanto a sua postura pessoal, sobre o que escrevem ou cantam. Com você acontece esse tipo de cobrança; você mesma sente algum tipo de responsabilidade?

Sinto responsabilidade no que diz respeito a botar essa galerinha pra ler cada vez mais, pra que eles se tornem adultos interessantes, cultos, com um vocabulário maior, com maior capacidade de se comunicar (afinal, quanto mais a gente lê melhor a gente escreve, e hoje, nessa era virtual, é cada vez maior a comunicação escrita, via email, SMS…). Eu não sou tão cobrada quanto ao meu comportamento… Acho que isso acontece mais com cantores, atores… A vida pessoal de uma escritora não interessa nada aos sites e revistas. Mas, mesmo se interessasse, garanto que sou uma moça bem comportada, que não faz escândalos, nem quebra quartos de hotel (risos).

Novo livro da série

Este mês você lança “Fala sério, filha!”, a “vingança dos pais” que lhe pediram uma espécie de “direito de resposta”, certo? Como foi escrever este livro e como é o relacionamento desses pais, enquanto leitores, com você?

Foi uma delícia! O meu relacionamento com os pais é muito bom. Já recebi inúmeros e-mails e cartas de adolescentes e pais agradecidos, dizendo que repensaram alguma atitude que tomaram após ler os dois lados em um livro meu. E com esse não vai ser diferente. Os leitores podem se preparar porque desta vez a Malu vai ouvir muito “fala sério!”. Quero que aconteça, como aconteceu com o Fala Sério, Professor!: que os leitores passem a entender melhor os pais.

Li que três de seus livros irão virar filmes, sendo ”Uma fada veio me visitar“ o primeiro. Você pode adiantar alguma coisa sobre eles? Tem acompanhado a produção, irá participar do roteiro de algum?

Participo de longe, assim mesmo quando pedem minha opinião. Por se tratar de um outro formato, prefiro ficar distante para não atrapalhar. É com grande alegria que percebo o mercado cinematográfico finalmente apostando neste público. Há uma imensa lacuna esperando para ser preenchida. Só posso adiantar que os livros estão sendo adaptados com muito carinho e estou na torcida para que meus leitores gostem do resultado final.

Visite http://www.thalita.com.br

Link para versão on-line: http://revistasnovitas.com.br/2011/12/revista-cultural-novitas-no-13-entrevista-thalita-reboucas/

Link para versão impressa: http://www.calameo.com/books/0003386933e69fbd45a01

Versão impressa

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About Renata Arruda

Redatora e tradutora.

Discussão

2 thoughts on “Revista Cultural Novitas Nº 13: Entrevista – Thalita Rebouças

  1. Olá, sou encantado pela Literatura. Gostaria da visão de alguém como você sobre algo que escrevi. Já te agradeço. Segue o link:

    http://robertvinicius.wordpress.com/about/

    Posted by robertvinicius | Dezembro 20, 2011, 1:18 pm
  2. Oi, você poderia ler um conto meu e me passar seu ponto de vista…? Obrigado!

    http://robertvinicius.wordpress.com/2011/12/22/o-dinossauro-nao-dorme/

    Posted by robertvinicius | Dezembro 23, 2011, 1:19 am

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