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Comportamento, Opinião, Todos

Opinião: Do que se trata seu feminismo? – Publicado no Teia Livre


Espero que não seja disso.

A cantora Alanis Morissette, feminista, membro do Equality Now, lançou em 2002 o CD “Under Rug Swept”, que dentre muitas faixas, havia uma muito curiosa,chamada “A Man”. Na época do lançamento, Alanis declarou: “Eu tive tendência a me concentrar mais em experiências negativas que eu tive com homens, e eu queria representar muito dos homens mais evoluídos também. Particularmente depois de escrever uma música como Narcissus. Eu teria considerado muitos destes tipos de homem como meus amigos. E, a um certo ponto, eu apenas pensei que eu queria escrever a respeito da perspectiva desse tipo de homem porque ele poderia estar meio cansado, não somente de mim cantando músicas como You Oughta Know e Narcissus, mas também de viver numa sociedade em que houve e ainda há muitas mulheres com raiva dos homens o tempo todo. Eu consigo entender e validar o motivo por que as mulheres sentem raiva dos homens, de várias maneiras, óbviamente. Mas há muitos homens que estão tentando com muito afinco, de certa forma “construir a ponte”, então eu quis escrever quase que uma música de resposta a Narcissus, como um homem respondendo e dizendo ‘Ei, sabe de uma coisa? Eu estou tentando, então vai se fuder.’”

Por conta dos recentes, e nem tão infrenquetes episódios ocorridos nas redes sociais, este comentário de Alanis torna-se pertinente para pensarmos um pouco sobre os homens modernos e como temos usados a militância feminista sobre eles.

Bom, começo me lembrando do recente Dia do Homem. Escrevi um post, que publiquei no Teia Livre (e curiosamente, com um cartum de piada feminista que nenhum homem, por estar do nosso lado, se ofendeu), chamando à atenção para os homens que estão se esforçando e em nada se parecem com os machistas com quem temos de lidar quase diariamente. Esses homens existem. Como também existem as mulheres que reproduzem o machismo e reforçam os estereótipos que os deixam mais machistas ainda. Enfim. O caso é que fui criticada por uma feminista por “homenagear macho”, como se o tal Dia do Homem, significasse algo como “Dia da Masculinidade”, “Dia da reafirmação da superioridade masculina” e qualquer bobagem do gênero e como se nenhum “macho” fosse digno de homenagem (e eu afirmo, o meu é). Na verdade o Dia do Homem vem com a intenção de chamar a atenção para a tão malcuidade saúde masculina (um tema importante) e oferecer uma reflexão sobre o papel do homem moderno na sociedade atual. É compreensível. Depois de 5.000 anos de patriacardo, com as lutas e conquistas feministas, tão recentes, hoje o homem moderno se vê em uma situação onde precisa repensar o seu papel, já que na cultura do senso comum, principalmente entre aqueles que não tem acesso ou interesse as discussões online em blogs ou ao que dizem os livros, o homem é normalmente criado para reproduzir todos estes estereótipos a que foi condenado. E os que ousam ser diferentes disso, são vítimas de preconceito via machismo, sendo chamados de “pau mandados”, “bichas” ou no inglês “menginas”. Por isso, proponho um pouco menos de “raiva” por uma “raça” e um pouco mais de empatia. Não deve ser fácil ser homem nos dias de hoje, em meio a este fogo cruzado. É uma busca complicada pelo equilíbrio, pelo caminho do meio, quando a pressão está toda voltada para que se escolha ou um ou outro. E muitos destes homens, por estarem inseridos dentro desta cultura, que conta com o apoio das mulheres “comuns”, que nada sabem ou entendem de feminismo, acabam reproduzindo a mesma cultura. Mas não apenas isto. Para quem não vive na bolha, influenciada pelo grupo na qual está inserida, as outras pessoas (a maioria), estão sim, reforçando os estereotipos até,ou principalmente, em forma de piadas. De minha parte, não é raro que eu veja mulheres fazendo piadas com cartões de créditos, dinheiro, serem sustentadas por homens bem sucedidos. Muitas respondem isso até em pesquisas. “Ah, mas não condiz com a realidade, as mulheres se casam com os homens mesmo eles sendo pobres”. Sim. Mas já ouvi de amigas que “deveriam ter casado por dinheiro e não por amor, porque casar por amor não estava com nada” ou “ele que pague minhas contas, acha que me come de graça?”. No último Natal, minha família contratou um Papai-Noel. A piada recorrente entre as minhas tias era que ele trouxesse um marido rico.

Isso para não mencionar os relatos de amigos e namorados que, na adolescência se viram trocados por bad boys (“mulher gosta é de cara FDP, bonzinho só se ferra”) ou caras que, de uma hora para a outra passaram a ser o centro das atenções depois de aparecer na escola com um carro ou uma moto. Como explicar que nem todas são assim? Como demonstrar que não é um grupo de feministas que não pensa dessa forma, se as próprias mulheres fazem questão de declarar e demonstrar que dinheiro é mesmo mais importante? Por que não se patrulham essas mulheres, já que elas não me parecem nem um pouco vítimas de uma situação?

Como se convence adolescentes em formação, que rapidamente irão virar adultos com opinião formada, de que estas mulheres não são a maioria (e nem sempre eu estou certa desta afirmação)? Se algum dia foi o machismo que instalou esta ideia, as mulheres compraram com muito gosto, naturalizaram e hoje se divertem fazendo piadas ou agindo como tal.

E aí, o movimento de certas feministas que preferem discutir piadas menos graves, como a postada pelo crítico de cinema Pablo Villaça (e defensor de minorias e um cara de esquerda cuja família enfrentou a ditadura, embora eu saiba que isto não é carta branca para ninguém em alguns casos) – e que em nada se igualam a piadas muito mais grave, e até criminosas como as do Rafinha Bastos, que todas conhecemos; e também preferem discutir o uso das roupas femininas, que a “cultura machista” delegou às mulheres para o seu prazer e ditar como elas deveriam se vestir e se produzir – como minissaias, saltos altos, maquiagem – e pensar que houve um tempo em que tudo isso era transgressor e em alguns países ainda o é – esse orgulham de não fazer parte dessa cultura, que tem muito mais a ver com comércio do que com ideologia, mas saem nas ruas em marchas pelo direito das mulheres de se vestirem como quiserem (o que aplaudo) mas ao mesmo tempo vão para seus blogs dizer para estas meninas que o melhor seria não usar essas roupas, pois são produtos de uma cultura machista. Ou seja, as mulheres estão sempre sendo ditas o que fazer, seja pela “cultura machista” ou por algumas feministas. E ainda tem o caso do comercial da Bombril, onde entre algumas reclamações (umas com razão, outras discutíveis) a mais boba foi o fato de estarem vestidas “como homens”, quando na verdade se trata apenas de identificação visual, já que os ternos e óculos eram referências ao famoso aprensentador da Bombril, que frequentemente usa estas roupas. Ali, no caso, o que queria se mostrar é que elas tinham assumido a voz desta vez. E pensar que houve um tempo em que usar roupas masculinas era transgressor e feminista…

Girls can wear jeans and cut their hair short, wear shirts and boots, because it’s OK to be a boy, but for a boy to look like a girl is degrading, because you think that being a girl is degrading. But secretly you’d love to know what it’s like, wouldn’t you? What it feels like for a girl?” (The Cement Garden)

(Tradução: “Garotas podem usar jeans e cortar os cabelos curtos, usar camisas e botas, porque é legal ser um garoto, mas para um garoto se parecer com uma garota é degradante, porque você acha que ser uma garota é degradante. Mas secretamente você adoraria saber como é, não adoraria? Como se sente uma garota?”)

O que eu penso, é que determinados nichos feministas não percebem que muitas vezes estão apenas reverberando discussões anacrônicas, quando a sociedade já mudou e muito. Hoje, se trata mais de pessoas, de pessoas, de dinheiro, não apenas de mulheres oprimidas por uma sociedade que oprime desde roupas, a piadas, a filmes e tudo mais.

Voltando ao caso do Dia do Homem, perguntei à feminista raivosa que me criticou:”E os homossexuais? Eles estão comemorando o dia dos homens, pelo menos os meus amigos. Eles não são homens também?” e como reposta, fui rebatida “Eles são machistas também e pra eles já tem o Dia do Orgulho LGBT”. Segundo este raciocínio, que generaliza não apenas todos os homens héteros como machistas, mas todos os gays também, creio que as lésbicas não deveriam ser representadas no Dia da Mulher, já que existe o Dia do Orgulho LGBT. Alguém acha que está certo isso?

Para mim, soa completamente equivocado e mal formulado. Como também me parece totalmente equivocado patrulhar os homens, principalmente aqueles que estão do nosso lado por um ou outro escorregão, com a desculpa que o problema é que eles não pedem desculpa. Dizendo que mulher ofendida pode se manifestar com agressividade e o homem “machista” lhe deve desculpas por isso. Não é bem assim que funciona. Ninguém deveria ter o “direito” de ser agressiva, principalmente em certas situações e com certas pessoas, que nunca causaram mal algum nem às mulheres, nem à causa feminista. Se a mulher se sentiu ofendida e quer debater, que o faça com o mínimo de civilidade. Se resolve agredir raivosamente um homem, embriagada pelo seu “direito”, que fez uma piada que está apoiada não só por outros homens “machistas”, mas por inúmeras mulheres também (e não importa aqui se ela são machistas também, se as mulheres querem generalizar os homens, saibam que eles também fazem isso conosco), essa mulher vai ouvir uma grosseria de volta, ou um deboche, sendo exposta ao ridículo. E aí vem o pessoal do 8 ou 80 dizendo que na verdade eles querem feministas sorridentes, que sirvam cafézinho” e eu me pergunto, de onde tiraram isso? De alguma situação real? O que eu penso é que eles só não querem ser agredidos, querem ser criticados com civilidade, o que não ocorreu nem no caso Nassif e nem no caso Pablo Villaça. Mesmo algumas tendo escritos posts corretos, a reação de imediato desses caras não foi ir lá ver o post, foi se defender da chuva de agressões initerruptas no twitter, o que é bem complicado de se lidar.

Eles não mereceram ser agredidos, mereciam conversa e esclarecimento. Mas tentar isso depois de um monte de mulher nervosa agredindo é complicado, porque eles já ficaram tensos com a situação. Eu também ficaria. Não há desculpas para agressões se o caso não é pessoal. E aí eu pergunto, onde o movimento feminista brasileiro chegou reagindo dessa forma, e produzindo milhares de posts que só as interessas irão ler? Conseguiu-se a liberação do aborto? A diminuição da violência doméstica e do estupro? Salários equivalentes? Maior participação política? Aceitação da sexualidade feminina como natural? Não. Só bate-boca e até a perda do respeito por parte de algumas pessoas.

De minha parte, o feminismo se trata disso. O resto são discussões que podem até ser importantes, mas são secundárias.

Nesse processo, parece que voltamos aos anos 60 e esquecemos que hoje, por exemplo, um homem que resolve fazer unha e sobrancelha sofre muito mais preconceito do que as mulheres que decidem não fazer. Nós já conquistamos este direito, eles não. Pra eles, criaram até uma definição: metrossexual, já que parece que simplesmente homem não é a palavra adequada para os adeptos.

Hoje também existem cuecas para definir abdome masculino, um forte incentivo à depilação masculina (não, não somos apenas nós as vítimas do movimento anti-pêlos, embora os homens não venham a público reclamar disso), pinturas de cabelo e todas as coisas outrora ditas femininas, que se incorporaram ao universo masculino. Avanço? Troca de posições? Indústria da beleza, moda e cosméticos querendo expandir mercados?

Neste imbróglio todo, os homens que nos apóiam ficam onde, “fazendo não mais que suas obrigaçoes”? E os nossos maridos e namorados, que muitas vezes em nada se parecem com os ogros agressorese machistas de quem tanto ouvimos falar e já ficamos alerta pra acusar o primeiro que der algum sinal disto. Vamos continuar a colocar todos no mesmo saco ou passar a valorizá-los? Aqui, eu penso que o reforço positivo é sempre mais eficaz que o negativo. Quando iremos parar de apontar as falhas e lembrar que existem homens que, mesmo que falhem, estão com a gente? Vamos afastá-los só porque não pediram desculpas ao tentarem revidar as agressões desnecessárias? Quem são os juízes que decidem como os outros devem se comportar?

De minha parte, acho muita energia gasta com mesquinharias. E pouco avanço no que realmente importa. Como disse Conceição Oliveira  (que chegou a ser chamada de Amélia Progressista no caso Nassif), eu prefiro ser uma feminista inconveniente, como Marta Lamas. (que de salto de maquiagem, pra horror das feministas mexicanas, foi lá, negociou e saiu com a liberação do aborto). Pensem nisso.

Obs: Esta coluna não visa mostrar feministas como anti-homens (sendo eu mesma uma feminista e nada anti-homem), mas mostrar que existe uma parcela de mulheres que adota o “nós” contra “eles” e faz um ativismo online inócuo, se voltando para um ou outro escorregão de homens de esquerda, que nunca fizeram mal algum as mulheres, e no máximo reforçaram algum comportamento que outras mulheres e revistas femininas (que curiosamente nunca são combatidas pelas tais “feministas raivosas”, no máximo alguém diz q acha uma droga) e acabam ofuscando debates mais importantes e urgentes.

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About Renata Arruda

Redatora e tradutora.

Discussão

13 thoughts on “Opinião: Do que se trata seu feminismo? – Publicado no Teia Livre

  1. Parabéns!
    Excelente texto.

    Posted by Renato Rocha (@rocha_renato) | Agosto 17, 2011, 2:45 pm
  2. Gostei do texto!

    Eu, pessoalmente, me sinto bem perdido no meio do fogo cruzado. Me dói a alma quando discordo de algum ponto com alguma feminista e tenho que ouvir: ‘mas você é homem, não tem nada a ver com isso’. Pra citar o caso da discussão da Lola com o Pablo, havia homens e mulheres dos dois lados da discussão (então, afinal, dá pra desmerecer a minha opinião só porque sou homem, é isso?). E fico pensando que, mesmo se eu estiver realmente errado, essa seria a pior forma possível de tentar me convencer.

    Às vezes acho que falta a algumas feministas entender que o problema não está no gênero, está na ideia do patriarcado. Sempre comento com a Deborah que um feminismo sério e empático tem que começar logo de cara assumindo o papel das mulheres na própria divulgação e perpetuação do machismo. Não quer dizer que seja culpa delas, mas sim que o problema não está só em lutar contra os ‘machos’.

    Olha o print que eu tirei no #lingerieday. Independemente do que você pensa sobre o tal dia, é emblemático:
    http://twitpic.com/5xf7m3

    Ah, e só pra terminar, já que tou me alongando pra caramba, recomendo pros homens ‘perdidos’ por aí as crônicas do Xico Sá. O texto dele que fala sobre o homem moderno que não abre mão do direito de trazer o pão debaixo do braço é antológico. Recomendo enfaticamente: “A saída honrada para um macho perdido”: http://xicosa.folha.blog.uol.com.br/arch2011-07-24_2011-07-30.html#2011_07-28_17_53_11-161644940-0

    Posted by André | Agosto 17, 2011, 3:35 pm
    • Pois é, o Xico Sá tem umas tiradas interessantes!

      E sobre a foto, as pessoas ficam falando “mulher também é machista”, e a gente sabe disso. O que eu não entendo é pq essas mulheres não são “patrulhadas”, xingadas, não fazem posts com as caras delas (que, pra mim, é assassinato de reputação) mas quando um cara, que numa única vez faz uma piada ou alguma coisa que desagrada as mulheres, merece esse tratamento? Se não é “nós” contra “eles”, não sei o que é.

      Posted by Renata Arruda | Agosto 17, 2011, 3:58 pm
  3. Mais uma vez eu digo o que te falei ontem “Liberdade de expressão pra que, né?”. Sua opinião só enriquece se for de acordo com fulano e ciclano, se vai contra você passa a ser o ‘vilão’ da história. E é por isso que muita gente vai, ao longo do caminho, desistindo, de tentar mudar as coisas e se conforma.

    Posted by kath | Agosto 17, 2011, 3:43 pm
  4. Renata,

    Primeiramente, teu texto é ótimo. Centrado e independente, como qualquer jornalista que honre a profissão deveria ser capaz de produzir, seja em crônicas ou artigos.

    Agora meu ponto:

    Todo e qualquer “ismo” pode ser enquadrado como completamente démodé como a própria palavra, ultrapassada. Você conhece minha esposa e por menos ou mais que se falem, creio que jamais possa eu ser taxado de machista, feminista, masculinista ou babaquista. As pessoas são o que são, e independe de minha vontade ou conceito como cada um regre sua própria vida.

    O machismo é um erro, o feminismo tem se tornado o extremo oposto, idem enganoso. Vejo muito em minha timeline do twitter algo como “Queria tanto que abrissem a porta do carro para mim/puxassem minha cadeira em um restaurante/pagassem a conta/me protegesse!” (coisas que faço, tenho testemunhas), sendo rebatidos por “Ah, seja mulher/mande os homens a merda/blá, blá, blá”. Ao mesmo tempo que se deseja atenção, se deseja também não mais a igualdade — utópica? –, mas sim a superioridade, como se casais não se formassem mais para realizar o uno e sim uma maneira de contratar um(a) empregado(a).

    Desisti de argumentar com que não usa da racionalidade e sim empunha bandeiras que nem existem mais. Como escrevi lá em cima, “ismos” são excessivos, em si erros de caráter, moral e comportamento. Fico observando, curtindo minha esposa e torcendo para quem sabe um dia se toquem da perda de tempo que é separar pessoas em grupos, quando na verdade todos somos cubos, não moedas, com várias faces a se admirar.

    Posted by David Nobrega | Agosto 17, 2011, 4:28 pm
  5. Primeiro as palmas ” clap, clap, clap”, pq como te disse no twitter foi um dos melhores textos que li sobre o assunto.
    Rê, tu falou tudo que um dia eu tentei falar, pois eu era participava da UBM e do movimento feminino de um partido político, duas coisas distintas, eu sei, mas que em certo momento sempre se “cruzam”. Enfim…
    O que me fizeram ingressar nos movimentos não foi o ódio ao homem ou mesmo me sentir inferiorizada por eles; ingressei pq sabia que existiam lutas maiores para as mulheres e queria participar disso. Sabe aquele lance de você querer fazer parte de algo grande? Foi isso! Bom, não vou entrar em detalhes sobre os motivos que me fizeram parar de participar, mas fato é que você não encontra uma opinião equilibrada ou que faça uma reflexão sobre o assunto sem radicalismo como você fez. O teu texto é quase que uma luz sobre o que penso e vivi e ver que mais alguém pensa dessa maneira, me faz ter aquela sensação que eu não estava tão errada como algumas companheiras falavam na época.
    Tenho quase 30 anos, um filho, dois enteados e um marido, um peixe macho, um gato e um cachorro macho… Poderia ser minoria na casa ( risos) mas descobri que muitas vezes o machismo está na cabeça de algumas mulheres -do grupo que não faço parte- pois por aqui temos uma harmonia de gêneros. 🙂
    Enfim, teu texto está brilhante!!
    Beijos

    Posted by titacoelho | Agosto 17, 2011, 5:40 pm
  6. Um comentário no Teia Livre feito por Sergio Telles, que resolvi trazer pra cá:

    Perfeito! Mais um caso (entre alguns outros) em que se foca no “inimigo” errado e por erro de estratégia (que é fundamental pra um movimento conseguir avanços), acaba só colecionando antipatia. Parabéns pela visão “além do alcance” da maioria, espero que abra algumas mentes pré-históricas.

    A defesa do movimento deveria ser pela igualdade entre gêneros e não um ódio propagado por qualquer homem que esteja pela frente, como temos percebido nessas e em diversas outras situações. Como sempre digo, isso é muito perigoso.

    http://www.teialivre.com.br/colaborativo/publish/Renata-C-Arruda/Do-que-se-trata-seu-feminismo.shtml

    Posted by Renata Arruda | Agosto 18, 2011, 8:08 pm
  7. Perfeito.

    Posted by Maurício | Agosto 18, 2011, 8:08 pm
  8. Esse texto é apenas “bem escrito”. No demais… ele cai naquelas questões: “se mulher quer igualdade por que comemora dia da mulher; tem delegacia da mulher; lei específica de violência etc.?”

    Tem mulheres que são anti-homens? Tem. Elas são feministas por isso? Não. Isso nem existe discussão. E garanto que essas mulheres além de serem minoria não representam o movimento feminista.

    Se essas mulheres existem, devemos discutir mas não sobre o cunho de “feministas”. Isso acaba reproduzindo o discurso machista dos homens que fazem as perguntas que eu escrevi acima.

    Quanto ao “Dia dos Homens”, desculpe, mas acho realmente um fora bem grande (para não dizer babaquice). Ele tem a mesma característica que o “Dia do Heterossexual”; o “Dia do Branco”. Todo o dia é o dia deles. Mas nunca é o dia dos homossexuais, transsexuais, da mulher, dos negros etc… As minorias sociais não têm vez nunca! O dia da diversidade existe como uma posição política. Existe para afirma que além daquelas pessoas existirem elas têm os mesmos direitos que todos! Os homens, brancos e homossexuais não precisam disso por que a sociedade é estruturada apenas para eles e quem não se encaixa nesses moldes é oprimido. Se precismos de datas comemorativas e de leis específicas não é porque queremos ser “especiais”, mas é porque igualdade não existe! Isso é uma falácia!

    Então, fala sério com o Dia do Homem né? E essas críticas a feministas… Enquanto mulher, sinto-me ofendida com esse texto.

    Posted by Amanda | Março 8, 2012, 10:54 pm
  9. Desculpa, correção: “Os homens, brancos e heterossexuais não precisam disso…”

    Posted by Amanda | Março 8, 2012, 10:57 pm
    • Está em seu pleno direito, Amanda. O que ocorre é que este texto fala de algumas situações bem específicas que aconteceram comigo no círculo feminista. Não adianta vir com o discurso “se fazem isso não são feministas”, que é o que muitas dizem. Porque elas estão se dizendo feministas. Estão com fotos de símbolos feministas, são amigas de feministas, inclusive com perfil da Marcha das Mulheres. Então quem pode dizer que não são, eu?

      O “dia do homem” não tem um décimo da importância do dia das mulheres ( no sentido da homenagem inicial, das mulheres que morreram queimadas por reivindicarem seus direitos) e ele só existe de homem pra homem não pra comemorar o ser masculino, mas para tentar chamar a atenção para a saúde masculina. Esse foi o intuito. Eu, que entendo que muitos homens modernos, que nasceram pós-60, estão em um limbo entre o machismo com que são criados e a sociedade moderna, que muitas vezes repudia isso, resolvi escrever um post comentando isso. E uma feminista, que eu sei disso porque ela simplesmente é ativista mesmo, me achincalhou por isso. E eu acho errado essa postura “nós contra eles”.
      Mas muitas não querem falar sobre isso em público, como a Lola Aronovich, pelo mesmo motivo que você colocou aí: mancha o movimento; Sinto muito, prefiro manchar o movimento – o que, na verdade, seria problematizar e assim dar uma oportunidade de debater e mudar a visão de quem ainda tem essas práticas, do que fingir que não acontece, por hipocrisia. No grupo de e-mail das Blogueiras Feministas, da qual fiz parte e só saí porque a Lola pediu para que este post, que te ofendeu, não fosse ao ar porque ela considerou equivocado (mostrei a ela antes de publicar e ela foi reclamar no grupo), principalmente porque estava achando que traria de volta a discussão com o Pablo Villaça. Neste grupo, fechado, é onde se vê as pessoas dizerem que é melhor não falar de certas coisas – que todo mundo sabe que acontece mas jura que não – pra não dar motivo pros “mascus” se aproveitarem.

      Aí depende de cada uma; Eu não estou taxando ninguém de “feminista raivosa”, quando eu mesma sou uma e já briguei muito por isso. Estou falando do que eu vi ENTRE ATIVISTAS FEMINISTAS.

      Ontem, conversando com a Elisa Gargiulo, ela me falou sobre a questão da violência e abuso sexual entre as mulheres e a dificuldade de debater esse assunto entre feministas, porque abafam. Acham que agressor é só o homem. Acham que um relacionamento entre iguais seria “seguro” e o debate não avança. É mais ou menos a mesma coisa.

      O problema é que o feminismo, ainda mas no Brasil, é plural, mas muitas tentam fazer parecer uma voz homogênea. Uma vez a Marjorie escreveu que a Lola e o feminismo dela não a representava, e é mais ou menos isso que eu quero dizer. Tem de tudo e é melhor discutir isso do que fingir que somos mesmo todas irmãs, enquanto por trás as coisas são bem diferentes,

      Detalhe: este post não tem nada a ver com hoje, é do ano passado. E só postei porque me acusaram de ser uma feminista exatamente do tipo que eu critico.

      Posted by Renata Arruda | Março 9, 2012, 3:02 am
  10. Pô, então, eu sou a favor da divulgação de opiniões. Até porque a pessoa não colocando a público não significa que não pense aquilo… Claro, tem que divulgar mesmo. E levar isso à discussão.

    Quanto ao o discurso “se fazem isso não são feministas”, não foi bem o que eu falei. Até pq discurso não faz o meu tipo. Minhas palavras exatas: “Tem mulheres que são anti-homens? Tem. Elas são feministas por isso? Não.” O que eu to criticando é o que consideram feminismo… Existem feministas anti-homens (ínfima parcela), mas elas não são feministas por isso. Pois o feminismo não é contra homens. Nós sabemos disso. Elas são feministas que são anti-homens. É bem diferente.

    Eu sou contra o “Dia do Homem” não por ser anti-homem, mas porque entendo que a sociedade é estruturada para o homem. São sujeitos sociais que não sofrem generalizadamente violência, desigualdade salarial, desigual acesso à saúde e deslocamento espacial (sim, isso acontece. não sei se você já leu, mas recomendo estudos de geografia feminista sobre mulheres de periferia… são reveladores.) pelo simples fato de serem homens. Então, às quincas com o dia do homem. Por isso que considerei um texto dispensável e me senti ofendida enquanto mulher, quanto mais como feminista…

    Concordo que devemos criticar e mostrar os erros do movimento feminista e, claro, a sua pluralidade! Outra falácia é acreditar na homogeneidade… e devemos combater o discurso que tenta apagar as diferenças.
    Um exemplo, em nome da nossa amada e defendida democracia até às últimas é o que acontece na França. A proibição do véu, crucifixos etc.

    Enfim, mas o que eu queria dizer é: discurso de que homem, branco, heterossexual e classe média sofrem colam não.

    Posted by Amanda | Março 9, 2012, 7:22 pm
    • Exato. O meu ponto é que não são inimigos. E não existem só os homens héteros e brancos. É uma coisa mais complexa, mas a maioria gosta de generalizar (e talvez eu também tenha feito isso ao, talvez,não ter sido mais específica no texto).

      E muito bem colocada a questão de serem feministas E anti-homens. Mas se ninguém apontar isso, na minha opinião, serão essas mulheres que marcarão o senso comum e reforçarão o estereótipo da “feminista raivosa”.

      Valeu a participação, vozes dissonantes são sempre bem-vindas!

      Posted by Renata Arruda | Março 10, 2012, 4:21 am

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